quarta-feira, 4 de julho de 2012

Por favor não te mates

Não, não me contes teus discursos de cúpula, teus planos futuros, tuas mãos que não envelhecem com cloro, com o dia. Poupa-me da inauguração da tua placa na Província, teu logotipo nas ruas que não deveriam ter nomes. Veja como violentam os silêncios dos becos, agora o Beco Jerônimo Coelho, que nem tocas tem. Que antes era o das flores. Que não tinha carro, que só tinha pistas. De segredos encantados, de gente que virava as sandálias pra não matar a mãe, de cães sábios, de pés salpicados de chuva. Não me contes o enredo da tua vida que se perde com as mais bonitas rendas da cidade. Não te iludas, não te percas, cala-te.

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