quinta-feira, 31 de maio de 2012

Confissão




Para desenhar eu preciso primeiro sentir o papel. Eu não sei fazer esses desenhos loucos computadorizados. De alguns até gosto, não falo com desdém: mas me falta o tato quando vejo, falta um gostinho que só os lápis lapidados conseguem me saborear... gosto de por do sol.Me deu vontade agora de fazer uma confissão, uma confissão talvez extensa, não sei, não tenho tanta coisa assim pra falar o tempo inteiro, eu penso muito, isso é verdade, mas sou calma, muito calma, gosto da brisa. Quando falo que farei uma confissão na verdade cê tem que entender que não tenho nenhuma idéia do que dizer: nem uma primeira memória presse relato, nadinha. A confissão talvez seja um motivo pra sorrir sem ter grandes motivos, sem grandes eventos e prêmios pra nada. Nunca gostei disso, de ter-que-arrumar-um-sentido pra tudo. Uma lógica. Um jogo que só quem já sofreu pode dormir, só quem paga pode comer. Gosto do acaso, do desaviso, de não ter plano nenhum, gosto mesmo de gostar das pessoas, mesmo das que não gostam de mim. Que posso fazer, é coisa que me vem sem nem  pensar, justo eu que penso tanto.
Penso tanto mas... que que eu penso? Eu penso em nada, eu fotografo. O tempo todo. Meus olhos são verdadeiras montanhas e as pessoas, meus horizontes. Como cada imagem, me nutro de cada uma, devoro, eu sinto o gosto, eu gosto do cheiro, eu invado, me invado, encontro cada EU que não sou e que sei que não entendo, que me falta tanto pra aprender, eu vejo a aventura em cada pessoa que eu conheço, é um desejo, eu sou voyeur da vida inteira, procuro por do sol nas pessoas.
 E ainda me acham calma.


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