domingo, 11 de agosto de 2013

olhos inteligentes

Mais uma vez Tuki dorme em meu colo. Despretensiosamente. Alguns devem estranhar – e vejo nos olhos pra dizer isso – a atenção que dou a Tuki, isso de falar sempre dela quase como se fosse humana, como se falasse, se comunicasse em termos humanos comigo e observo atentamente essas pessoas, e tento entender porque é a comunicação humana que elas acham tão legítima para tirar o véu de loucura – que no fim coincide com o que elas querem ter em retribuição – é tão necessária e importante; correta. A comunicação que transcreve em palavras e linguagens cotidianas. Uma comunicação que pode ser vista e materializada; reconhecida a partir do nosso ponto de vista. Acho estranho também por não terem a curiosidade de conhecer Tuki. Acredito que podemos aprender muito com todos os seres, e estou aprendendo com ela.
Me lembro de um dia à tarde que deitei no sofá e tuki veio em seguida. Ficamos nos olhando e comecei a falar como era bom estar com ela, como eu sentia uma grande gratidão por ‘ter’ ela na vida. E em questão de milésimos de segundos percebi que não precisava falar nada: não por ela não ser humana e não entender os signos. Mas nós sentíamos, respirávamos – cada uma a seu ritmo – e nos víamos. Dormimos e acordamos só muito mais tarde.
Nunca esperei de tuki uma retribuição compatível (humana) e sempre achei um pouco cruel não dar atenção a ela,  a mesma que daria a um humano, pelo simples fato de ela ser uma gata. Seria, falando de uma maneira simples e clara para você e para mim, um respeito à natureza das coisas. Tuki não durará muitos anos, ela viverá muitos anos. Talvez a forma como trato tuki seja uma grande metáfora do respeito e amor que acredito que deveríamos demonstrar por todas as coisas vivas. As árvores, as flores, todos os seres, todas as pessoas.

Das coisas que têm vida, todas elas, que sentirei falta um dia. Precisamos aprender a nos sentir mais nos silêncios do que nas palavras. Não sou uma pessoa, sou vida. Tuki não é uma gata, é vida. E é como vida que a reconheço e respeito. 

Tudo isso é muito pequeno quando deixa de ser o centro da existência e passa a habitar os dedos, a mente e o coração. Deixa de ser uma cartilha e um conselho e vira algo tão indizível, mas no entanto presente e grande. As pequenezas que levo comigo.

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