segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Belo horizonte

Eu ainda não tinha dormido quando os galos da cidade começaram a cantar ao mesmo tempo.
Pés gelados, olhos cada vez mais fechados como se implorassem por um sono profundo. Gostaria de entender o que fica entre minha pele e a coberta. O jeito então era levantar, dar-me por vencido. Meu mau humor sempre presente, claro, de que outra forma haveria de ser. Coloquei minhas botas e fui em direção ao mirante, pois lá pensei... Esqueci. Quando acordo desprevenido espero que alguém jogue água gelada na minha cara. Evidentemente eu desistiria de vez da bondade humana. Mas só às vezes. Ir ao mirante libertava meus demônios, e só eu era capaz de enxergar meus erros.
As montanhas quase infinitas. Lá é quase azul. Horizonte é mar revolto, mudo. Por que não sinto a água a cair pela montanha. E eu nem sei se tudo é pergunta.
No mirante fiquei até a beleza ser tormento. Tu que estás cá fora entenda de vez que cavalos acordam toda a rua. Cavalos e galos. A infinitude é quente, infinitude...
(quase a devorar toda a vila)
Deságua como cobertor nos meus ombros tortos.
Quem sabe ela more silenciosamente entre minha pele e a coberta.
Meu precipício não é o pensar demasiadamente. É... não sei. Algo que nos falta de um jeito ácido por dentro.
Não, não é falta, nem perto do vazio.
Imen(si)dão talvez.

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