terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ouvindo "solo de piano" - Yann Tiersen

Estou numa sala de aeroporto. Minha vida tem sido isso, Carlos. Eu fico aqui e adoro esse ar de turista. Crianças olhando pra todos os cantos e sorrindo. Alguns correndo contra o tempo ( há sempre a aventura ) mas o rapaz que vejo está parado. Olha pra uma coluna cinzenta e percebe uma placa vermelha ‘toilet’. Mochila de albergue europeu. Bem rasgadinha. Parado. Eu o vejo tão de perto e não consigo ... Não consigo. Ele achou algum desenho em 3D na mera figura de ‘toilet’? Ele desvendou o baralho ‘toilet’ e criou um ‘teto’, ‘leito’ e por que a linguagem adimensional do meu rapaz precisa, necessariamente, ter um significado objetivo, materialista pra mim? ‘“tletoi” pode ser uma flor, e as rachaduras da coluna velha uma gota a cair como meu corpo e essa musica. A gota beija a flor. Eu beijo ... ? então meu rapaz, Carlos, meu rapaz de repente me vê. Susto. Gosto de pensar que presencio momentos históricos (ainda que trágicos). Como um avião que acaba de decolar e explode. Beija-flor que afasta a gota da pétala, suga, e a gota cai sem glória. Caótica no caminho de formigas, solo rachadura como a coluna cinzenta. Que acolhe a grama, que recebe o Carlos, tu, Carlos, Meu turista beija-flor.

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