sábado, 4 de dezembro de 2010

Discurso de formatura feito pela oradora Livia Costa


Exmo Senhor General de Exército Luis Carlos Gomes Mattos, Comandante Militar da Amazônia, em nome do qual cumprimento as autoridades civis, militares e ilustres convidados que hoje prestigiam nosso momento tão especial.
Boa noite!
É uma honra inefável poder falar em nome do Terceiro ano de 2010. Hoje nós fazemos parte de uma estrela que teve seu início em 2004, quando éramos tão pequenos e cheios de medo. O colégio era amarelo, com muitas árvores e, no centro do pátio, havia o símbolo do CMM — onde hoje estufamos o peito de alegria e de saudade.
O tempo que vivemos aqui foi essencial para o nosso desenvolvimento — não apenas intelectual, mas, sobretudo, humano. Estudar em um Colégio Militar não é diferente de estudar em um colégio civil apenas porque usamos boina, cáqui, fazemos coque ou marchamos. Aqui os nossos valores saíram do cabide e foram para as nossas mãos, para cada palavra. Cada um teve uma vitória no Colégio Militar, e não me refiro unicamente a postos de graduação, legião de honra, alamar. A maior vitória é a de poder dizer, do fundo do coração, que tudo que vivemos aqui valeu a pena.
Tivemos muitos momentos marcantes durante os sete anos de Colégio Militar: Éramos cerca 140 alunos, com 35 concursados, dispostos em 4 turmas, comandados pela aluna Gysella, 1ª colocada no concurso de admissão. Na época, o CMM era diferente. Fizemos as tão temidas PBs, aquelas enormes provas bimestrais de 100 escores; havia ainda duas cantinas do café Glauce, que vendiam o famoso “espertinho”, e o Will trabalhava lá. Assistimos à passagem de comando do CEL Porto para o CEL Rippel trajando o uniforme cotonete. No dia das crianças, não fomos a nenhum clube da cidade. Ficamos no colégio pintando latas de lixo para coleta seletiva.
Em 2006, nossa 7ª série, foi um ano de bastantes mudanças. Nossas antigas PBs foram substituídas pelas atuais AEs. O CMM entrou em reforma. As árvores foram cortadas, o colégio trocou de cor para o azul, o palanque do pátio foi construído, tudo ficou mais sofisticado. Em 2007, fomos a última 8ª série do colégio, que hoje é nono ano. Tivemos uma COMFEST no lugar da COMFOR, uma festa de formatura no lugar de um baile. Fomos a primeira oitava série a ter formatura de conclusão junto ao terceiro ano. O Ensino Médio foi o período de maior amadurecimento: PSC, Vestibular, o ânimo incomparável da Turma 204, tudo era uma pressão e enorme correria. E claro, não dá para esquecer: FOMOS A PRIMEIRA TURMA TETRACAMPEÃ DAS OLIMPIADAS INTERNAS! Vencemos as turmas mais antigas quando ainda éramos chamados de “série”. Como diria um querido mestre, nós fomos FANTAAAAAARTICOS!
Felizmente, tivemos professores muito competentes e íntegros. Até os que, perdoem-me o termo um tanto quanto chulo, eram cabeças-duras, nos ensinaram algo muito mais que gramática, senos, genes recessivos. O toque, a sensibilidade de ensinar é muito difícil. Explicar o assunto além da prova, tirar o conhecimento da estante e apresentá-lo em termos práticos. Vocês, professores, merecem todo o nosso respeito. Ainda que tenhamos discutido, saibam que os senhores e as senhoras nos passaram um ramo de alegria. De luta. Nosso muito obrigado.
Agradeço à aluna Viviane Macedo e ao aluno Roberto Neto que, com muito carinho, ajudaram-me a fazer o discurso.
Também agradecemos ao CMT Cel Marinho, que com grande maestria soube dialogar com os alunos, dando mais motivos para chamar o CMM de lar. Obrigado à quarta companhia, pelo companheirismo, apoio e a todos os funcionários do Colégio Militar, das simpáticas senhoras da limpeza aos monitores e funcionários civis. À seção psicopedagógica pela atenção em se tratando do nosso futuro. Aos nossos pais - que se doaram inteiros e renunciaram aos seus sonhos, para que, muitas vezes, pudéssemos realizar os nossos. Estamos hoje nos formando, mas saibam que não há ciência, não há graduação, mestrado, doutorado ou afim que possa ensinar os valores e princípios que vocês nos deixaram como herança. Essa lição, podem ter certeza, nunca será esquecida. É por isso que agradecemos de todo o coração e dedicamos a vocês pais, aqui presentes, ausentes ou que já não mais estão entre nós, esse título que hoje nos foi entregue. Queremos compartilhar com vocês, que sempre estiveram dispostos a fazer qualquer sacrifício por nós, mais essa conquista. A Deus pela oportunidade de viver a vida a cada segundo. E aos nossos amigos: pelas risadas e conselhos, até as críticas ferrenhas e mordazes, tão necessárias. Pelos momentos de euforia e de tristeza, das brigas mais fingidas às mais sinceras. Amigos que, apesar de tantas brigas, guardamos no coração com profunda cumplicidade. Todos vocês fazem parte da nossa estrela.
O Terceirão de 2010 aprendeu, a duras penas, o significado da palavra UNIÃO. Apesar de todos os conflitos que passamos juntos, o mais importante na vida não é saber quem é o vencedor, ou o perdedor, o mais inteligente, o mais forte. Vivemos em um mundo muito globalizado e não podemos escapar dele: seja pela arte, literatura, toda forma de escapismo é, na verdade, uma negação da vida. O conhecimento não deve ser utilizado como forma de opressão, uma estética anestésica. Não se pode esterilizar o ser humano, programá-lo na obediência, no mimetismo e na falta de criatividade. Não basta consumir cultura: é necessário produzi-la. É preciso, é essencial buscar a Humanidade dentro de nós e nos outros. Estamos todos unidos, ainda que em caminhos diferentes, fazemos parte da família Garança.
Devemos ter esperança, meus amigos, jovens e mais velhos. Não pensem que isso é utopia. Nossos sonhos nunca são utópicos quando lutamos por eles com todo o coração. Somos o que escolhemos ser. A mensagem do Terceirão é que lutemos, pois todo dia é tempo de recomeçar e ser feliz.
TUDO PELA AMAZÔNIA, SELVA!

2 comentários:

  1. peeeeeeeeeerfeeeitooo
    voce se superou
    fora as partes que eu fiz {asuyhgasui} eu gostei bastante da parte: "Não basta consumir cultura: é necessário produzi-la."
    a mensagem PERFEITA para formandos, pessoas que estao saindo em busca do mercado de trabalho agora, de uma graduacao.
    liinda, texto perfeito
    Viviane Macedo

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