sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Beautiful rain


Hoje eu encontrei meu caderno de anotações de 2008 e de 2009. Estava debaixo do guarda-roupa. Interessante como passei mais de 96 páginas escrevendo a mesma coisa, a mesma dor e vergonha de sentir saudade. Não vejo com desprezo, mas parece que já faz tanto tempo... E eu não sei o que pensar sobre isso.

Achei textos de amigos (alguns eu acabei de colocar no blog). Depoimentos, sonhos, planos... Tem uma página com o seguinte cabeçalho: “METAS PARA 2009” (em letras garrafais). Teria sido mais fácil dizer “enfim, quero dominar o mundo”. Eu pensava: “é isso que falta para a minha felicidade”. Alcancei muitas ‘metas’, mas hoje vejo todas de modo tão indiferente que, caso eu não tivesse seguido o plano, permaneceria como estou agora: muito bem.

Então eu penso que estou caminhando para a indiferença, no entanto esse pensamento é só devaneio. Quanto mais indiferente eu pareço, mais eu me importo e analiso as coisas. Não sei se é correto dizer “com mais amor”. Talvez com mais cumplicidade. Cada vez mais as relações humanas têm me ensinado a sentir o que eu leio (tão dentro de mim) nos livros. E como essa fusão é essencial.

Escrevi muitas coisas tristes nesse período. A maioria eu diria que era por conta de uma decepção. Mas, apesar de tudo isso, hoje me impressiono com a coragem que tive de admitir certos sentimentos (assim pensava ser). Fraca e perdida brinquei em construções inacabadas, ferros pontiagudos. E que idéia é essa de brincar com cimento e fios desencapados? “Experimentos, apenas.”

“[...] A mesma chama que arde no meu coração e que faz sombra nas minhas doces e pobres palavras.” – uma das coisas que escrevi em 2009. (acho triste, e tão bonita)

“Pode ser que eu leve a eternidade, eu ando em frente por sentir vontade. Pode ser a eternidade, mas caminho em frente pra sentir saudade.” M. Camelo

E talvez isso já esteja ficando irritante, mas muito obrigada.

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